Maricá sedia Jornada Esportiva Cultural Indígena entre os dias 20 e 24 de abril


A II Jornada Esportiva Cultural Indígena (JECI 2017), que acontece na aldeia Tekoa Ka’ Aguy Ovy Porã (Aldeia Mata Verde Bonita), na Restinga em São José do Imbassaí, entre os dias 20 e 24/04, tem o apoio do Ministério dos Esportes num convênio com a Prefeitura de Maricá, através da Secretaria de Esportes. A programação contará com shows de Guilherme Arantes (sábado, dia 24) e de artistas locais nos demais dias, exibição de filmes e documentários, danças, lutas, gastronomia indígena – como o biju (tipo de tapioca feita de aipim) e o xipá (massa frita feita com farinha de trigo, água e sal) –, além das competições esportivas.

Segundo os anfitriões, a festa vai reunir 16 tribos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo em diferentes etnias, como: tupiniquim, patachó e guarani. Assim, os maricaenses vão poder conhecer um pouco dos costumes e tradições dos diferentes índios do Brasil.

A abertura simbólica com a chama olímpica em totem indígena acontece no dia 20/04 (quinta-feira) a partir das 20h, mas as apresentações de filme, da Bateria da Escola de Samba União de Maricá e das delegações e cânticos indígenas começam mais cedo, às 16h. O primeiro dia de festa termina com a apresentação da cantora Jô Borges.

Nos demais dias de Jornada, a programação acontece sempre das 9h às 20h com a participação das tribos convidadas e 43 atletas da aldeia nas disputas de futebol; arco e flecha; arremesso com lança; natação; atletismo; cabo de guerra (masculino e feminino); luta corporal e maracá (masculino e feminino). No ano passado, o ‘time da casa’ conquistou as disputas de cabo de guerra e corrida de toras. Os shows acontecem logo após as competições.

Na sexta-feira, 21/04, tem cabo de guerra; luta corporal, arco e flecha, natação, futebol e corrida com tora (revezamento), além do espetáculo teatral Infantil “Totó no rolé” e exibição de filmes. O projeto “Viajando com a música” alegra os convidados com show de Bruna Mendes, Marcela Albernaz, Dalva Alves e Banda. Mas o forró “Batidão dos Garotos” (Forró) da Aldeia Amaral (Santa Catarina) também tem seu espaço garantido.

Exibição de filmes e documentários

A programação esportiva continua no sábado, 22/04, com as partidas de futebol e corridas de atletismo, com tora (individual) e de maracá (espécie de chocalho) – com a participação dos curumins, pela primeira vez na disputa e ao lado dos adultos. Depois ainda tem exibição de filmes, música eletrônica, apresentação do grupo de forró “Os Moleques da Pisadinha (Mbya)”, maracatu de baque virado, côco de roda, dança afro e um grande show de MPB e rock do cantor e compositor Guilherme Arantes.

No domingo, 23/04, é dia de arremesso de lança, salto em distância, desfile, exibição de filmes, mística do encerramento (dança do Xondaro), além das apresentações da banda de Reggae Canamaré (Niterói) e o Hip-Hop de Kuaray Bro´s MC e Edon. Na segunda-feira, 24/04, acontece a saída das comitivas indígenas.

Cerca de 70 profissionais vão trabalhar na organização do evento, que, segundo a elaboradora do projeto e coordenadora de eventos, Marcela Policiano “vai deixar um legado estrutural para a cidade. Afinal, por causa dele, a tribo recebeu iluminação pública e uma torre de wifi”, contou, acrescentando: “A competição só foi possível por causa do acordo firmado entre o Ministério dos Esportes e a Prefeitura de Maricá. O Ministério investindo cerca de 327 mil e a Prefeitura 57 mil”, contou.

Ao falar da realização, um filme passou na cabeça do cacique Darcy Tupã Nunes Oliveira, que lembrou a forma como a tribo foi recebida na cidade, há quatro anos. “Sempre falei para minha comunidade que um dia teríamos a oportunidade de fazer algo pelo nome indígena e pelo recebimento que tivemos quando chegamos aqui em Maricá de poder voltar ao nosso berço natural, à nossa aldeia antiga, é sinal de que somos respeitados, bem queridos e essa é uma maneira da gente dizer obrigado ao povo de Maricá”.

Sobre a Jornada, Tupã esclareceu: “É a realização de um sonho muito grande, porque nesse mundão afora o povo brasileiro é massacrado. Mas esse é um encontro do povo: índio, quilombo, caiçara e eu acredito que a Jornada Cultural traz muita riqueza para a cidade, através do conhecimento e da etnia de cada povo. Nós somos os campeões da corrida com tora e do cabo de guerra e queremos contar com o povo todo de Maricá gritando nosso nome. Os guerreiros vão defender com unhas e dentes este título para deixar mais lindo e presentear com todas as forças do espírito olímpico indígena o povo de Maricá”, convidou Tupã.

O secretário de Esportes, Filipe Bittencourt, disse que, com a Jornada Esportiva Cultural, o povo tem uma excelente oportunidade para prestigiar a cultura indígena em Maricá. “Além de fomentar a importância do esporte, o evento vai permitir que as pessoas conheçam a performance desses atletas, compreendendo a importância das pinturas corporais que usam nas competições, assim como suas tradições do dia a dia. Será um evento para toda família prestigiar o que só conhecia através dos livros”.

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