Ambientalistas acreditam que as Rochas de Charles Darwin em Maricá podem estar ameaçadas


Em sua viagem pela então província do Rio de Janeiro, Darwin encontrou as beachrocks na praia de Jaconé, entre Maricá e Saquarema, em 9 de abril de 1832, e as descreveu em sua caderneta de campo. Depois disso, elas ficaram esquecidas por mais de 150 anos.

As beachrocks, termo clássico que em português pode ser traduzido para “rochas de praia” ou, mais recentemente, “praianito”, são formadas por sedimentos depositados em uma praia antiga e que se transformaram em uma pedra pela precipitação de carbonato de cálcio entre os grãos. Elas ficam submersas e eventualmente afloram durante ressacas do mar e maré baixa.

Uma matéria publicada nesta terça-feira, 3, pelo Jornal BBC trouxe a tona a verdadeira opinião dos ambientalistas que são contra a instalação do Porto de Jaconé, em Maricá. No artigo diz o seguinte:

“Assim, elas são o registro de uma antiga linha de praia”, explica o geólogo Renato Rodriguez Cabral Ramos.

O caso das descritas por Darwin em Maricá, as beachrocks são o testemunho de uma antiga praia que existiu na região há cerca de 8 mil anos e indicam um nível do mar 50 cm mais baixo que atual “Isso auxilia no entendimento das variações climáticas nos últimos milhares de anos”, “Elas também podem ser utilizadas para entender a ocupação humana pré-histórica da região, pois seus fragmentos foram coletados pelos construtores de sambaquis, primeiros habitantes do litoral.”, explica Kátia Leite Mansur, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

As beachrocks têm ainda grande importância ecológica, pois criam ambientes propícios para elevada concentração de peixes e desenvolvimento de mexilhões, o que pode ter sido um atrativo para os sambaquieiros no passado como é para os pescadores atuais.

Agora essa riqueza histórica, geológica e ecológica pode estar em perigo, caso a construção do porto venha de fato a se concretizar.”

A opinião da Prefeitura de Maricá, insiste em ser positiva a instalação do Porto: “Por se tratar de um empreendimento privado, quem responde sobre as questões do Terminal Ponta Negra é a empresa proprietária do projeto, a DTA Engenharia, de São Paulo. A Prefeitura já se manifestou publicamente por diversas vezes em apoio ao projeto – inclusive no âmbito do relatório de impacto ambiental que embasa a licença prévia já concedida pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) – por considerá-lo uma importante alternativa para o desenvolvimento econômico sustentável não só de Maricá, mas de toda a região.”

A DTA Engenharia, por sua vez, informou que o TPN tem como principal objetivo criar uma infraestrutura para o atendimento da indústria de exploração e produção de petróleo e gás, tanto no armazenamento quanto a movimentação de granéis líquidos.

“Seu volume de tancagem será de aproximadamente 3,5 milhões de m³ e terá pátio logístico de serviços de apoio”, informa Juliana Digeorgi, da DTA.

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