Caratecas de Maricá disputam mundial na Escócia


Alunos da E.M. Maurício Antunes de Carvalho (Boqueirão) realizaram na sexta-feira, 08/06, o último treino de karatê antes de embarcar para a Escócia, onde, a partir de quinta-feira (14/06), vão representar Maricá no campeonato mundial. O grupo faz parte do projeto “EMAC” (Escola Municipal Maurício Antunes de Carvalho), que oferece várias atividades no contraturno escolar para alunos da rede municipal.

Diretora da unidade, Soraya Araújo contou que os doze atletas enviados já estão acostumados a competir no Estado, no Brasil, em São Paulo e já disputaram torneios até na Argentina. “O projeto para eles veio como uma mudança fundamental. A estima dessas crianças melhorou drasticamente, tanto em relação aos que participam quanto às outras crianças, que vêem o avanço dos colegas e querem isso para si também”, disse.

Professora dos alunos, Renata Rocha falou sobre o progresso das crianças ao longo das aulas e preparação. “Acredito muito neles porque estão sendo preparados há três anos, então o resultado certamente será positivo e vamos seguir firme em frente em busca de bons resultados. Só estou um pouco apreensiva porque sei que vai ser uma guerra e vamos encontrar níveis altíssimo de competidores”, explicou.

Aos 20 anos, o ex-aluno Kevin Araújo atualmente auxilia a professora e a substitui nas aulas quando necessário, além de participar das competições. “Quando ela começou a dar aula, eu era atentado e avisei logo que não ia deixar ter nada aqui na escola e que também não ia fazer. Mas acabei fazendo um período e mudei para o colégio Carlos Magno. Só que aí eles abriram a vaga para os acolhedores, nos permitindo a voltar e como eu gostava de artes marciais, viajar e competir, voltei e fiquei até hoje. Já tem 6 anos e já fui até ao Japão levando o nome da escola e do município”, declarou.

De acordo com a coordenadora do EMAC, Manoela Costa, a implantação do projeto aconteceu justamente por conta do grande índice de indisciplina. “Quando cheguei aqui em 2013, na direção, a escola tinha um problema sério nesse campo. Eu acredito muito na questão do esporte e da educação, porque acredito que transformem gerações, então colocamos várias atividades e começamos a trabalhar a importância da disciplina e a autoestima deles. Como alcançamos resultados, resolvemos ousar e nos inscrever em campeonatos. O primeiro foi em Rio das Outras”, relembrou.

“Mas como tudo é muito difícil fomos aos poucos, dando um passo de cada vez. No Rio chegamos a levar de 30 a 40 atletas. Em 2015 levamos dois atletas a São Paulo, o menino voltou em quarto lugar e a menina campeã brasileira. No ano seguinte, ousamos e levamos um aluno à Irlanda, onde conquistamos o 3º lugar numa disputa com outros 70 países. Em 2017 levamos nove atletas à Argentina e dessa vez levamos doze para o Mundial da Escócia. Essas crianças ganharam confiança em si mesmos, ganharam uma auto estima melhor e são incentivados a tirar notas melhores transformando a Maurício Antunes num exemplo para as outras escolas”, destacou satisfeita Manoela, destacando todo o apoio do governo municipal.

Mãe da atleta Beatriz (12 anos) e de outros dois meninos que não participam da competição, mas fazem parte do projeto, Marcele da Costa também acredita que o projeto seja fundamental para sua família. “Eles são disciplinados e correm atrás, aprenderam que tudo na vida tem consequência e que só ganha quem corre atrás. É uma emoção ver os três de quimono. Além disso, todos os profissionais respeitam a gente e nossos filhos. Então é uma verdadeira família”, pontuou.

Emocionada, Michele Salles (33 anos), é mãe de Rayane (14 anos), que faz karatê. “Eu morava no Rio e vim para cá porque meu avô estava doente. Só que me separei e minhas filhas reagiram mal. Dava muito trabalho e eu não podia sair do emprego porque meu ex-marido não ajuda e eu tenho que trabalhar para sustentá-las. O projeto realmente as acolheu. Agora a Rayane é mais responsável, pensa no que vai fazer. Se não fosse o projeto, eu não sei o que seria das minhas filhas. Posso trabalhar sabendo que elas estão no colégio”, ressaltou.

Segundo a diretora, para participar o aluno precisa no mínimo, estar cursando o 1º ano e ter 6 anos além de comprometimento com a escola de um modo geral e dedicação ao esporte. “Nós cobramos deles a dedicação ao esporte e ao estudo. Inclusive, solicitamos aos responsáveis os resultados do primeiro trimestre. Muitos já estudaram na nossa unidade e voltaram com os amigos por causa do projeto. Isso é o mais gostoso de tudo, porque não são só os alunos da escola que participam. Nós pensamos numa rede, onde a gente não escolhe, acolhe. Então as portas do Maurício Antunes estão abertas para todas as crianças da rede”, frisou Soraya.

Interessados devem se inscrever na secretaria, fazer uma aula experimental e entregar uma declaração de sua escola de origem. Quem estuda à tarde faz aulas de 10h às 12h40 e quem estuda de manhã faz o projeto de 12h às 15h, sempre às segundas e sextas.

error: Conteúdo protegido!