Festival Dança em Trânsito chega ao fim em Maricá


O projeto Dança em Trânsito chegou ao fim nessa terça-feira (20/08) e já deixa saudades. Em seu último dia as coreografias, realizadas em vários pontos da cidade, estiveram presentes na Lona Cultural de Itaipuaçu, no Residencial Carlos Marighella (Condomínio Minha Casa Minha Vida de Itaipuaçu), no Centro de Artes e Esportes e Unificados (CEU), na Mumbuca e na orla da lagoa de Araçatiba, altura da Praça Tiradentes.

Produzido pelo Espaço Tápias e trazido para Maricá com o apoio da Secretaria de Cultura, o evento, que faz parte do XVII Festival Internacional de Dança Contemporânea, trouxe para o município artistas e companhias da França, Itália, Suíça, Holanda, Espanha, Portugal, Cuba e África.

Na Lona Cultural de Itaipuaçu, quem subiu ao palco e emocionou o público foi a Cia das Artes Lidia Maria, de Maricá, com a coreografia Crepúsculo. Os bailarinos se apresentaram logo após o espetáculo “Espera”, da Companhia de Dança Mário Nascimento, de Belo Horizonte.

“Nossa escola existe há quatro anos aqui em Itaipuaçu e hoje trouxemos 12 dos nossos bailarinos que já participam de vários festivais, nacionais e internacionais, representando Maricá. Estou muito feliz de ver nossa cidade recebendo esse festival e principalmente porque a minha escola pode participar”, afirmou a professora de dança Lídia Maria.

Também em Itaipuaçu, no Condomínio Minha Casa Minha Vida, após a apresentação da Companhia de Dança Untamed, de Portugal, com a obra Portrait, o coreografo Maximiliano Sanford, presenteou as crianças do condomínio com uma oficina de dança.

“Sou brasileiro, mas vivo na Espanha há 20 anos, onde trabalho em diferentes companhias de Madrid. É a minha primeira vez em Maricá e estou achando tudo ótimo, hoje, por causa da chuva, fizemos um encontro diferente. Tivemos que improvisar, trocar o espaço, o que é maravilhoso, pois no final deu tudo certo e foi lindo, principalmente estar com essas crianças e poder passar para eles um pouco do meu conhecimento em exercícios de alongamento”, disse o coreógrafo.

Para o professor de dança Matheus Jordan, responsável pela Jordan Company, que atualmente ensina dança urbana para mais de 50 jovens do condomínio Minha Casa Minha Vida de Itaipuaçu, o sentimento é de gratidão e felicidade.

“Estamos todos muito felizes. Nós amamos dança e o custo para assistir a um espetáculo assim é alto, então esse festival se torna ainda mais importante para nós aqui do condomínio”, ressaltou o professor.

“Se não fosse um festival como esse, aqui no nosso condomínio, acho que nunca teria a oportunidade de assistir a um espetáculo de dança e participar de uma oficina com um coreografo de outro país” disse Cíntia Nunes, 14 anos, moradora do residencial.

Já no CEU, onde foi apresentado o ensaio do espetáculo “Café Não É Só Uma Xícara”, após o término, foi aberta uma roda de conversa com o público. “Através das fotografias cheguei numa parte que fala sobre o trabalho que desenvolvia nas fazendas de café, nas plantações, os encontros que ele tinha, como se transformou em fotógrafo apaixonado por essas fazendas. Aquilo foi me pegando devagar e fui compactando. Foi a partir dali que veio essa ideia do café que quer dizer também um encontro social”, explicou a coreógrafa Flávia Tápias, apaixonada pelo trabalho do fotógrafo Sebastião Salgado, sua inspiração.

“Foi maravilhoso. A arte com o corpo é a arte mais linda que pode existir. Cultura e Educação estão agregadas e a nossa cidade faz isso”, declarou a correspondente bancária Renata da Silva, de 43 anos, acompanhada da filha Maria Eduarda Valença, de 15 anos, que também é bailarina. “Foi bem produtivo, pois vi tecnicamente como são feitos os movimentos. O jeito que eles se entregam e a leveza do corpo foi o que me chamou mais a atenção. Isso é como um aprendizado para mim”, pontuou Maria Eduarda.

Em Araçatiba, nem mesmo o frio e a chuva foram capazes de espantar os amantes de dança contemporânea que assistiram ao espetáculo “Un ange passe-passe ou entre les lignes il y a un monde”, montado pela companhia francesa À Fleur de Peau no palco da praça Tiradentes. A apresentação começou com um vídeo de dança exibido no telão.

“Muito show. Tenho acompanhado o festival em todos os lugares desde domingo”, relatou o jardineiro Antônio Braz Carvalho de Oliveira, de 53 anos e morador do Parque Nanci que assistia à apresentação.

“Ter um projeto internacional nos dá a oportunidade de trabalhar mais cultura na cidade. Trazer a dança de uma forma diferenciada é tão inovador e estimula muito as pessoas. Ou seja, mostra para elas que a arte é muito mais daquilo que conhecemos. Transcende muito mais”, afirmou a secretária de Cultura, Andréa Cunha, que fazia parte da plateia.

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