Índios guaranis se acomodam em Maricá após deixar reserva de Camboinhas, em Niterói

Tribo foi para área particular em Maricá. Funai quer oficializar instalação.

De saída. Índios guaranis que há sete anos ocupavam uma área de reserva ambiental em Camboinhas carregam uma cama na mudança. (Foto :: Eduardo Naddar - O Globo)
De saída. Índios guaranis que há sete anos ocupavam uma área de reserva ambiental em Camboinhas carregam uma cama na mudança. (Foto :: Eduardo Naddar – O Globo)

Após sete anos de ocupação numa área de reserva ambiental em Camboinhas e de convivência conflituosa com a vizinhança, os índios guaranis finalizavam, na última semana, o processo de transferência da Aldeia de Sementes para uma área privada de 93 hectares no distrito de São José do Imbassaí, em Maricá.

— Aqui fizemos amigos, mas, além de restrições, como a proibição de construirmos mais ocas, a pressão para nos tirar daqui sempre foi grande — diz o cacique Darci Tupã, citando um incêndio ocorrido na aldeia em 2008 como uma das tentativas de expulsar a tribo da região, sob a qual há um sambaqui, conforme afirmam os indígenas.

De acordo com o coordenador técnico da Fundação Nacional do Índio (Funai) no Rio de Janeiro, Cristino Machado, a regularização fundiária do novo espaço ocupado pelos índios em Maricá será debatida dentro do órgão, nos próximos dez dias, a fim de viabilizar a criação de uma reserva indígena no local.

— Fomos chamados para intermediar a questão. Um técnico veio de Brasília para cá, produziu um relatório que será apreciado com o objetivo de solucionar tudo — explica Machado, que esteve na aldeia na última quarta-feira.

Enquanto a regularização da nova ocupação é debatida, a transferência dos índios foi bem-vista pelo presidente da Sociedade Pró-Preservação Urbanística e Ecológica de Camboinhas (Soprecam), Stuéssel Amora, que articula a recuperação do bioma da região:

— É muito positivo eles desocuparem o que não deveria ser ocupado, pois trata-se de uma área de preservação. Agora, continuaremos nossos esforços para restaurarmos toda a restinga de Camboinhas.

Em nota, a prefeitura de Maricá informou que embora a ocupação dos índios na cidade ocorra numa propriedade privada, o município se ofereceu como mediador, chegando a sugerir três áreas públicas — nos bairros de Bambuí, Ponta Negra e Caxito — para a reinstalação dos guaranis. Diante da negativa dos indígenas, o governo municipal “apenas acompanha a questão, que deverá ser resolvida entre os proprietários do terreno, a Funai e a tribo”.

Proprietária da área, a IDB Brasil classificou a ocupação dos índios como invasão, uma vez que tem documentação legal do terreno e jamais foi notificada sobre qualquer decisão capaz de legitimar a iniciativa. A empresa ressaltou, entretanto, estar em contato com a Funai e com a prefeitura de Maricá visando a resolver a questão com uma “solução que respeite todas as partes”.

O Globo


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