16/10/2016 às 10h06min - Atualizada em 16/10/2016 às 12h21min

Unegro faz ato de desagravo a vítima de racismo na Rodoviária de Maricá

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A União de Negros pela Igualdade (Unegro) fez ato em protesto ao caso de racismo sofrido por uma jovem na Rodoviária de Maricá. "- Quando realizamos nosso ato de posse da Unegro Maricá, ouvimos que não existe população negra na cidade. Logo depois lemos comentários que diziam ser errado nos organizarmos em movimento negro. Neste vídeo a maior parte dos comentários de indignação falam sobre religião. não se trata de religiosidade. O que está em evidência é a atitude de uma pessoa racista! Sim, esta jovem sofreu um ato de racismo. Esta mulher deve ser criminalizada por sua atitude! Nós da Unegro Maricá estamos tomando as devidas providências! Somos maioria da população, somos cidadãos! Respeitamos e queremos respeito", disse a Unegro. Um vídeo gravado na sexta-feira (14) na rodoviária de Maricá mostra uma mulher xingando outra de "macaca". A vítima, que é negra, afirma ainda que a agressora disse que iria "expulsar demônios" dela. As imagens (veja acima) foram gravadas pela própria mulher insultada, que não quer ser identificada. O vídeo causa revolta nas redes sociais e já teve mais de 8 mil compartilhamentos. A vítima afirma que teve dificuldades para fazer o boletim de ocorrência na delegacia. O caso foi registrado na 82ª DP como injúria racial na manhã deste sábado (15). Nas imagens, a mulher de meia idade parece orar ajoelhada enquanto chama a vítima de "macaca" diversas vezes. A vítima, uma jovem de 24 anos, contou ao G1 como a situação começou, dentro de um ônibus. "Ela começou do nada a se alterar, cantar e pregar coisas evangélicas. Na verdade eu nem dei atenção. Quando eu virei para a janela ela me deu um tapa no peito, falou 'vou expulsar seus demônios'", relatou a jovem, que seguia de Ponta Negra para o centro da cidade. Entre os comentários nas redes sociais, prevalece a indignação com a situação. O vídeo foi publicado no fim da tarde de sexta e a vítima contou ao G1 como se sentiu: "Ela me humilhou em três lugares diferentes. Foi horrível, fiquei super nervosa. É uma coisa tão entranha nas pessoas, porque elas falam que não são racistas, mas em atitudes assim a gente não pode ficar calado. Não é meu objetivo ganhar notoriedade, mas sim denunciar este tipo de abuso e falta de respeito", finalizou a jovem. De acordo com a vítima, a situação continuou depois que ela e a mãe, que ainda tentou defendê-la, desceram do ônibus. A mulher ligou para o 190 e o atendimento da Polícia Militar recomendou que ela pedisse ao motorista para passar em uma cabine da polícia, mas o pedido foi negado. O ônibus parou apenas na rodoviária, onde as agressões verbais continuaram. "Na rodoviária foi o cúmulo, eu tava falando de novo com o 190 quando ela veio pra cima de mim querendo me bater, me xingando. Isso tá gravado. Ela começou a falar 'me bate, me bate' e eu gravei". Depois da cena registrada no vídeo, a jovem conta que, ao perceber que a polícia estava sendo chamada, a mulher começou a ir embora. A mãe da jovem conseguiu acompanhar parte do percurso e perguntar onde a mulher morava. Com nome e parte do endereço, elas se dirigiram à delegacia para registrar um boletim de ocorrência. "A viatura não chegou, ela começou a ir embora, minha mãe foi ver onde ela estava indo. Minha mãe chegou na delegacia com nome e endereço e um policial disse que não podia fazer nada sem o nome completo dela. Outro falou para ir atrás da mulher para confirmar que ela morava lá". O G1 entrou em contato com a assessoria da Polícia Civil e aguarda posicionamento sobre o procedimento na 82ª DP. A jovem afirma que vai procurar a Justiça em relação ao caso e fala também da importância de denunciar este tipo de situação. As imagens são fortes. Veja no vídeo abaixo Repercussão no RJ InterTv
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