20/01/2020 às 17h40min - Atualizada em 21/01/2020 às 10h08min

Espraiado: Tapeçaria se torna patrimônio histórico e cultural de Maricá

A Tapeçaria do Espraiado é Patrimônio Histórico, Artístico, Ambiental e Cultural de Maricá, de acordo com o decreto do Prefeito Fabiano Horta.

A Tapeçaria do Espraiado já é considerada Patrimônio Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. As Tapeceiras do Espraiado surgiram na década de 50, com a chegada à Maricá da tapeceira marroquina Madeleine Colaço.

O local fica a poucos quilômetros do Centro de Maricá e é lá que as tapeceiras se dedicam para manter viva a arte de uma técnica tão única que recebeu o nome de "Ponto Brasileiro".

Criado na década de cinquenta pela marroquina, naturalizada brasileira, Madeleine Colaço, o "Ponto Brasileiro", também conhecido internacionalmente como "Samba" ou "The Brazilian Point", ocupa posição de destaque na história da tapeçaria no Brasil e sua criadora é considerada um dos maiores nomes da tapeçaria nacional. Isso porque, da técnica de bordados aos motivos e padrões ornamentais, as tapeçarias de Colaço integram aspectos típicos da natureza e da cultura brasileira, e principalmente da região do Espraiado em Maricá (RJ), lugar onde, a artista possuía casa e pôde passar para a comunidade local a complexidade da trama e todo o seu conhecimento sobre o bordado.

Graças ao “ponto brasileiro”, as tapeceiras do Espraiado tornaram-se mundialmente conhecidas. Em 2010, elas participaram de duas edições do Rio à Porter, uma das programações do evento internacional de moda Fashion Rio. A exposição do trabalho das Tapeceiras do Espraiado fez parte de uma parceria entre a Prefeitura e o Sebrae, de incentivo a projetos profissionalizantes de artesãos.

Entre as tapeceiras reinou Elídio Garcia, “embaixador do ateliê Colaço e um colorista genial”, segundo a própria Madeleine. Ele trabalhou mais de 30 anos com Madame Colaço e seguiu na tapeçaria até o fim de sua vida. Guardava muitos escritos técnicos em um caderninho, incluindo recados de Madeleine. “É um trabalho de chinês. Artístico e minucioso, que faz com que o metro quadrado leve de cinco a seis meses pra ficar pronto”, explicava Elídio, que também teve uma filha mestre no ponto “samba”.

Elídio contava que no passado sofreu um acidente e teve que operar as duas pernas. Foi acolhido pelo casal Colaço, aprendeu o “ponto brasileiro” e tornou-se o colorista do ateliê. “Não sei onde estaria hoje sem a ajuda deles. No meu trabalho eu me achei”, resumia o colorista, cuja história de vida se mistura à arte e à vida do casal Colaço.


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