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28/05/2022 às 13h49min - Atualizada em 28/05/2022 às 13h15min

Casais se revoltam ao descobrir que casamento comunitário realizado em Maricá não tem valor legal

Jade Carvalho - leisecamarica.com.br
G1
Foto ilustrativa

 

Pelo menos 45 casais foram enganados em um casamento comunitário que aconteceu no mês de fevereiro, na Praia de Cordeirinho, em Maricá. Os casais afirmam terem sofrido um golpe de uma advogada. 

 

De acordo com informações passadas pelo G1, a advogada Ingrid Menendes organizou o casamento e afirmou que todos os envolvidos sairiam do evento casados de papel passado, porém não foi o que aconteceu. 

 

No dia da cerimônia, que contou com cerca de 300 convidados, a responsável pelo evento entregou aos casais um certificado com a assinatura de ambos os noivos e da celebrante, mas alguns meses depois, os casais descobriram a enganação e que o papel não tinha nenhum valor legal, como havia sido dito para eles. 

 

"A gente acreditou naquilo. Nossa família foi. Foi gasto dinheiro com a roupa, com vestido. E saber que isso nem valeu, que nem foi de verdade. A gente ficou muito triste. Me senti muito enganada com isso porque a gente descobriu isso bem depois", disse a noiva Juliana Gameleira.

 

"Para muitos é um sonho casar na praia, como foi pra gente. E ver que a festa foi linda, mas na realidade não valeu de nada. Fora os prejuízos que agora eu tô tendo", disse o noivo Leandro.

 

Procurada pela reportagem do RJ1, a advogada foi questionada se teria enganado os noivos e não conseguiu explicar por que os casais não saíram casados do evento que ela organizou. 

 

"Todo casamento religioso tem valor civil, desde que o celebrante tenha registro, como a bispa tem. Não enganei, de forma alguma, até porque eu to fazendo outro casamento em julho com 50 casais", explicou Ingrid.

 

Segundo a legislação, os processos de casamentos comunitários devem passar pelo Tribunal de Justiça. A Associação de Notários e Registradores do Estado do Rio afirmou que essa foi a explicação dada a organização do evento na época da cerimônia coletiva.

 

A associação informou que a realização do casamento foi negada pela 1ª Vara de Família do Fórum de Maricá. Em 2010, um ato normativo do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro criou regras para os casamentos comunitários.

 

Segundo o documento, casamentos coletivos são exceções que dependem de prévia autorização da presidência do Tribunal de Justiça, ou por meio de requerimento de juízes, do procurador geral de justiça, do defensor público do estado ou de secretário estadual.

 

*Suspeita de uso ilegal de associação*

 

A advogada seguiu com a organização do evento mesmo com a autorização negada e está sendo acusada de usar o nome da Associação de Mulheres de Maricá de forma ilegal.

 

 

Para dar mais credibilidade ao evento que ela estava organizando, Ingrid se apresentava aos casais como presidente da Associação de Mulheres de Maricá. Contudo, segundo as fundadoras da associação, ela nunca nem fez parte do grupo.

 

"Ela nunca foi presidente porque a presidente sou eu, aqui acompanhada pela vice-presidente e pela tesouraria", disse Maria Selma Alves, presidente da associação.

 

Ainda de acordo com Maria Selma, a associação nunca organizou casamentos comunitários: "Nunca. O nosso estatuto não nos dá esse direito", completou.


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