Polícia Civil investiga invasão e destruição de objetos sagrados de babalorixá em Itaipuaçu


Delegado titular​ Gilbert Stivanello, Jone de Ode e Ivanir dos Santos.

Obabalawô Ivanir dos Santos, interlocutor da CCIR – Comissão de Combate à Intolerância Religiosa – acompanhou nesta quinta-feira, 18, o sacerdote Jone de Odé, na Delegacia de Combate a Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), na Lapa, no Centro do Rio.

Recebido pelo delegado titular, Gilbert Stivanello, para recolher depoimento e abrir investigação em decorrência do terreiro ILÊ ASÉ OMÓ ODÉ KEWÁLA, que foi invadido e vilipendiado. O crime aconteceu na madrugada de quarta-feira, 17, no Loteamento Jardim Atlântico.

Jone de Odé é praticante há 23 anos do candomblé – religião de matriz africana e há 10 anos como dirigente da casa, estava bastante nervoso e consternado. Na quarta-feira, prestou queixa também na 82ª Delegacia Policial e no fim da tarde dessa quinta-feira, na Decradi. 

“Pegaram meu sagrado, minhas coisas como se fossem entulho, foi isso que fizeram”, afirmou ainda muito abalado Jone.   

Como aconteceu
A mãe do sacerdote recebeu uma ligação de um vizinho na terça-feira (16), alertando da invasão. No mesmo dia, ela foi na casa e encontrou dois homens, que aparentavam ter em torno de 40 / 45 anos. Ao serem questionados sobre o que faziam ali, alegaram que estavam sem moradia. Eles foram avisados então, que não poderiam ficar naquele área, que era um lugar sagrado e propriedade particular. Já a noite, ela voltou ao local com uma amiga, dois policias e ainda encontrou os dois suspeitos. E novamente avisados que não poderiam ocupar o espaço. 

Na quarta pela manhã, o dirigente, que mora no Rio, recebeu uma ligação e foi direto para o terreno, encontrando os ibás dos orixás (nome dos assentamentos sagrados dos orixás) quebrados e jogadas no quintal, nos fundos da casa. Além de duas portas arrancadas, uma parede marretada, cercado derrubado e objetos destruídos, entre outros utensílios que sumiram. Assim como uma bomba d’água, materiais de construção, como telhados de amianto, pás e uma cavadeira que foram roubadas. 

Segundo o delegado Gilbert, os suspeitos vão responder, no mínimo, por danos dos objetos religiosos.

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