Videoconferência aproxima da família os pacientes de Covid-19 internados nos hospitais de Maricá


Foto: Divulgação

O isolamento social necessário para frear o contágio da Covid-19 impôs uma mudança brusca no comportamento humano, em especial no relacionamento dos profissionais de Saúde com o paciente e seus familiares, que não podem realizar visitas durante as internações e, no caso daqueles que não são da cidade, tem família em locais distantes.

A videoconferência foi a forma encontrada pelas equipes dos hospitais municipais Dr. Ernesto Che Guevara, em São José do Imbassaí, e Conde Modesto Leal, no Centro, para que haja uma comunicação mais afetiva e humanizada do que as duas ligações telefônicas diárias para passar o boletim médico aos parentes.

O procedimento é simples, mas de grande significado. A assistente social de plantão, usando um smartphone, liga para o familiar cadastrado na ficha do paciente e proporciona a eles uma conversa por vídeo de cerca de 10 minutos. Foi o que aconteceu com o aposentado Hedio Pinto Maia, de 83 anos, morador de São Gonçalo. Hedio chegou à unidade a partir do Hospital Municipal Conde Modesto Leal, há 11 dias. Veio direto para o Centro de Terapia Intensiva (CTI), mas, com a melhora do seu quadro, está na Unidade Semi-Intensiva (USI).

Já a esposa do idoso, Jaziz Maria dos Santos Maia, de 74 anos, também está internada, só que no CTI. Para a neta de Hedio, a professora Raquel Batista dos Santos, de 36 anos, que recebeu a ligação, esse contato é muito importante porque dá a sensação de segurança através da troca de amor que ambos precisam nesse momento.

“Queria dizer para ele que estamos em corrente de oração diária para a recuperação dele e da minha vovó e tranquilizá-lo sobre a organização da casa, pois estamos cuidando de tudo para quando eles voltarem”, contou. “Agradecemos à equipe do hospital, que nos trata com muito carinho. A gente percebe que existe uma preocupação com o indivíduo, com suas emoções e sentimento, porque ele não está sendo tratado apenas como mais um paciente, mas, sim, como um ser humano”, expõe Raquel.

O médico e coordenador multiprofissional do hospital, Rogério Lima, explica que essa ação se fez necessária principalmente por ser o hospital Che Guevara uma unidade de Saúde especializada em Covid-19.“Após a chamada de vídeo, foi visível a melhora do estado de espírito do paciente, o que reflete em uma melhora clínica e do estado emocional. Esses são pontos muito positivos para a redução do tempo de internação hospitalar”, analisa Rogério.

Para a secretária de Saúde, Simone Costa, humanizar o atendimento do paciente faz com que se sinta acolhido e assistido integralmente, tendo em vista que já está sofrendo por estar fora do seu ambiente. “Queremos priorizar a qualidade no atendimento em Saúde do município e isso engloba o cuidado diferenciado proporcionado aos nossos pacientes, trazendo a família, mesmo que virtualmente, ao ambiente hospitalar”, afirma a secretária.

O sistema de videoconferência do Hospital Municipal Conde Modesto Leal, no Centro, já está nos ajustes finais para também permitir as visitas virtuais para os pacientes com Covid-19. A previsão é de inicia-las na primeira semana de julho.

Segundo a Coordenação de Humanização e Assistência Social da unidade, essa possibilidade vai trazer muitos benefícios para os pacientes. Da mesma forma que no Hospital Che Guevara, no Conde Modesto todas as informações clínicas são passadas pelos médicos do isolamento através de contato telefônico uma vez ao dia, à tarde, após visita médica. Os contatos da família são atualizados diariamente pela equipe do serviço social, responsável também por passar orientações de toda a rotina hospitalar e dar apoio à família.

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