Wilson Witzel é afastado do cargo de Governador do Rio de Janeiro pelo STJ


O STJ (Superior Tribunal de Justiça) determinou hoje o afastamento imediato de Wilson Witzel (PSC) do cargo de governador do Rio de Janeiro devido a suspeitas de fraude em compras na área da saúde durante a pandemia do coronavírus. A medida tem validade inicial de 180 dias. Witzel também foi denunciado pela procuradoria-geral da República (PGR).

De acordo com a PGR, desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2019, Witzel montou uma organização criminosa dentro do governo do estado. A quadrilha foi dividida em três grupos, que disputavam o poder com desvio de recursos dos cofres públicos.

Ainda segundo a PGR, o esquema era liderado por empresários, que lotearam as principais secretarias, como a da Saúde, para criar esquemas que beneficiassem as próprias empresas.Além do afastamento de Witzel, 380 policiais federais e agentes do Ministério Público Federal (MPF) e da Receita Federal fazem, em paralelo, desde as primeiras horas da manhã desta sexta-feira, a Operação Tris in Idem. São 17 mandados de prisão (sendo seis preventivas e 11 temporárias) e 82 de busca e apreensão.

O presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo, foi um dos presos. Ele deixou sua residência, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste, por volta das 7h30 e chegou à Superintendência da PF, na Zona Portuária, às 8h20. O ex-secretário estadual de secretário de Desenvolvimento Econômico Lucas Tristão também é alvo de mandado de prisão. Ele não foi encontrado em sua casa, na Barra da Tijuca. Vizinhos disseram que ele não mora mais no local há pelo menos três meses.

Dentre os alvos dos mandados de busca e apreensão, estão o vice-governador Cláudio Castro, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o deputado André Ceciliano (PT), e a primeira-dama, Helena Witzel. Ha mandados sendo cumpridos no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador, e no Palácio Guanabara, sede do governo do estado.Os mandados também estão cumpridos em outros seis estados (Alagoas, Espírito Santo, Minas Gerais, Sergipe, São Paulo e Piauí), no Distrito Federal e em um endereço no Uruguai, onde estaria um dos investigados com mandado de prisão preventiva.

Investigação também envolve primeira-dama Helena Witzel


A primeira-dama Helena Witzel é investigada pagamentos feitos por empresas ligadas ao empresário Mário Peixoto ao escritório de advocacia dela. Pagamentos feitos pela empresa da família de Gothardo Lopes Netto também são alvos de investigação. O MPF aponta que a contratação do escritório de advocacia da primeira-dama foi artifício para permitir a transferência indireta de valores de Mário Peixoto e Gothardo Lopes Netto para Witzel.Por causa das investigações, O MPF denunciou, neste primeiro momento, novepessoas envolvidas em desvios; são elas:

1. Wilson Witzel: governador do estado2. Helena Witzel: primeira-dama do estado3. Tristão4. Mário Peixoto5. Alessandro Duarte6. Cassiano Luiz7. Juan Elias Neves de Paula8. João Marcos Borges Mattos9. Gothardo Lopes Netto. No indiciamento deles, o MPF pediu suspensão do exercício de função pública, proibição de contatos e de acesso a determinados locais para cada um.

Eles vão responder pelos crimes de formação de organização criminosa, peculato, corrupção ativa e corrupção passiva, e lavagem de dinheiro.A ação de hoje é um desdobramento da Operação Placebo, que cumpriu, no dia 26 de maio, mandados de busca e apreensão contra Witzel, o ex-secretário de Saúde Edmar Santos e a primeira-dama.


O nome da operação de hoje é uma referência ao fato de Witzel ser o terceiro governador do estado afastado do cargo por utilizar a função pública para obter vantagens através de esquemas ilícitos semelhantes.

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